Seguem as palavras do Papa ontem, às 12h, durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro:
“Queridos irmãos e irmãs!
Na última quarta-feira, com o tradicional Rito das Cinzas, entramos na
Quaresma, tempo de conversão e penitência em preparação para a Páscoa. A
Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros a renovar-se no
espírito, a reorientar-se decididamente para Deus, renegando o orgulho e
o egoísmo para viver no amor.
Neste Ano da Fé a Quaresma é um tempo propício para redescobrir a fé em
Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta
sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal
naturalmente se opõe à nossa santificação e busca fazer-nos desviar do
caminho de Deus. Por isso, no primeiro domingo da Quaresma, todos os
anos é proclamado o Evangelho das tentações de Jesus no deserto.
Jesus, de fato, depois de receber a "investidura" de Messias - "ungido"
do Espírito Santo - no Batismo no Jordão, foi conduzido pelo mesmo
Espírito no deserto para ser tentado pelo diabo. Ao iniciar o seu
ministério público, Jesus teve que desmascarar e repelir as falsas
imagens de Messias que o tentador lhe propunha. Mas essas tentações são
também falsas imagens do homem, que em todos os momentos insidiam a
consciência, trasvestindo-se de propostas convenientes e eficazes, ou
até mesmo boas. Os evangelistas Mateus e Lucas apresentam três tentações
de Jesus, diversificando-as apenas na ordem.
O núcleo central consiste em instrumentalizar Deus para os próprios
interesses, dando mais importância ao sucesso ou aos bens materiais. O
tentador é astuto: não impele diretamente em direção ao mal, mas a um
falso bem, fazendo crer que as verdadeiras realidades são o poder, e
aquilo satisfaz as necessidades primárias. Dessa forma, Deus torna-se
secundário, reduz-se a um meio, torna-se definitivamente irreal, não
importa mais, desvanece. Em última análise, nas tentações o que está em
jogo é a fé, porque está em jogo Deus. Nos momentos decisivos da vida,
mas, vendo bem, a qualquer momento, estamos numa encruzilhada: queremos
seguir o eu ou Deus? O interesse individual ou o que realmente é bem?
Como nos ensinam os Padres da Igreja, as tentações fazem parte da
"descida" de Jesus à nossa condição humana, ao abismo do pecado e das
suas consequências. Uma "descida" que Jesus percorreu até o fim, até a
morte de cruz, até os infernos do extremo distanciamento de Deus. Desse
modo, Ele é a mão que Deus estendeu ao homem, à ovelha perdida, para
reconduzi-la a salvo. Como ensina Santo Agostinho, Jesus tirou de nós a
tentação, para nos dar a vitória (cf. Enarr Psalmos em, 60,3:. PL 36,
724). Portanto, também nós não tememos enfrentar o combate contra o
espírito do mal: o importante é que o façamos com Ele, com Cristo, o
Vencedor.
E para estar com Ele voltemo-nos para a Mãe Maria: Invoquemos com
confiança filial na hora da provação, e ela nos fará sentir a potente
presença de seu Filho divino, para repelir as tentações com a Palavra de
Cristo, e assim recolocar Deus no centro da nossa vida.”
Após o Angelus, Bento XVI continuou:
“Obrigado a todos!
Uma calorosa saudação aos peregrinos de língua italiana. Obrigado a
todos! Obrigado por virem tão numerosos! Obrigado! A presença de vocês é
um sinal do afeto e da proximidade espiritual que vocês estão me
manifestando nestes dias. Saúdo, em particular, a administração de Roma
Capital, conduzida pelo prefeito, e com ele saúdo e agradeço a todos os
habitantes dessa amada Cidade de Roma. Saúdo os fiéis da diocese de
Verona, de Nettuno, de Massanninziata e da paróquia romana de Santa
Maria Janua Coeli, como também os jovens de Seregni e Brescia.
A todos, votos de um bom domingo e um bom caminho de Quaresma. Esta
tarde inicia a semana de exercícios espirituais: continuemos unidos na
oração. Boa semana a todos. Obrigado!”
Fonte: ZENIT (Agencia Internacional Católica de Noticia)