segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Carta Mensal MCC.

CARTA MCC BRASIL – OUT 2011 (146ª.)

“”... alguém na estrada disse a Jesus: ‘Eu te seguirei para onde quer que fores...” (Lc 9,57)
 “Vede, eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos” (Mt 10,16)
“Ide, pois, fazer discípulos entre toda as nações...(Mt 28, 19)


Amados irmãos e irmãs, minha fraterna saudação a todos, “discípulos missionários de Jesus Cristo para que nossos povos nEle tenham vida”:

1.                  Desde há muitos anos na Igreja Católica, falou outubro, falou Mês das Missões. Quase sempre, em tempos idos, missões ou missionários eram sinônimos de terras distantes, países longínquos e homens e mulheres que, consagrados, deixavam suas famílias e sua pátria para “catequizar” os que ainda não conheciam Jesus e sua Igreja. Hoje, felizmente, trata-se de uma mentalidade ultrapassada trazendo à lembrança tempos de uma Igreja ainda em supremacia em relação às demais crenças. Esta mentalidade significava, mais nada menos, do que reduzir a missão essencial da Igreja de Jesus Cristo.  Até que, sobretudo a partir, do Concílio Vaticano II (1962-1965) teve início uma mudança de mentalidade quanto aos campos de missão e aos seus destinatários. Lembro-me quando alguns autores chegaram a afirmar, para susto de muitos que, por exemplo, a França, tradicionalmente tida como “filha primogênita da Igreja”, era um país de missão (1943)! É claro que, mais adequadamente do que naquele tempo, estamos convencidos que “país de missão” são todos os países e todos os povos do mundo.
            Para seguir em nossa reflexão “missionária”, farei uso, ainda que sumariamente, de dois referenciais atualíssimos e importantíssimos: a) o Documento de Aparecida (DAp), essencialmente missionário já no seu lema: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nEle nossos povos tenham vida...”. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6) e b) a Exortação Apostólica Verbum Domini (VD)– III Parte: “A missão da Igreja: anunciar a Palavra de Deus ao mundo”.

1.                      A Igreja toda missionária. Já na introdução do DAp[2] encontramos como que um ousado desafio lançado pelos nossos Pastores a toda a Igreja da América Latina e do Caribe: “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstancias latino-americanas e mundiais”.  Ao referir-se à “Igreja”, o DAp entende não só cada católico ou aos bispos, padres ou pessoas consagradas. Trata-se de toda a comunidade eclesial: instituições, comunidades, movimentos, etc.. Sobretudo a diocese e paróquia, ou seja, a “igreja nas bases”, deveriam assumir suas responsabilidades acionando por todos meios disponíveis sua atividade evangelizadora. Para alcançar este objetivo o DAp sugere um “conversão Pastoral e renovação missionaria da comunidade”. Visando a este objetivo, insiste-se com termos, à primeira vista bastante fortes, sobre a radicalidade desta conversão para uma consciência profundamente missionária: “Nenhuma comunidade deve isentar-se de entrar decididamente, com todas as forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé” (DAp 365). São palavras muito incisivas que deveriam provocar sérios questionamentos em todas as instâncias da Coordenação pastoral, tanto das dioceses como das paróquias.
Da mesma forma vamos encontrar na VD toda a Terceira parte: “Missão da Igreja: anunciar a Palavra de Deus ao mundo”. Merecem especial destaque os parágrafos 92: “Da Palavra de Deus deriva a missão da Igreja” e 93: “A Palavra e o Reino de Deus”. Deixo-lhe à meditação, apenas dois pequenos trechos: a) “O Sínodo dos Bispos reafirmou com veemência a necessidade de revigorar na Igreja a consciência missionária, presente no Povo de Deus desde a sua origem” (DAp 92). Ainda: “Não se trata de anunciar uma palavra anestesiante, mas desinstaladora, que chama à conversão, que torna  acessível o encontro com Ele, através do qual floresce uma humanidade nova” (DAp 93).

2.                  O discípulo missionário de Jesus Cristo. Discípulo é aquele que ouve o Mestre; entusiasma-se por Ele; assimila na sua mentalidade e na vida as ideias dEle. Mais ainda e como consequência necessária do ser discípulo, segue o Mestre onde quer que vá. Foi assim com Mateus: “Ao passar, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostas, e disse-lhe: ‘Segue-me’. Ele se levantou e segui-o” (cf. Mt 9.9; 8,19; Lc 9,57). E toda a caminhada com Aquele que “não tinha onde reclinar a cabeça...(cf Lc 9, 58) é marcada pela alegria  incontida do discípulo: “Neste encontro com Cristo, queremos expressar a alegria de sermos discípulos do Senhor e de termos sido enviados com o tesouro do Evangelho...” (DAp 28). Ao seguir Mestre o discípulo se convence que deve, com o Ele, anunciar o Reino de Deus, a Palavra do Pai feita carne. Torna-se, então, missionário, pois não existe discípulo que não seja missionário e missionário que não se comporte como discípulo. Vejam que palavras a VD tem para os fieis leigos: ”Os fieis leigos são chamados a exercer a sua missão profética, que deriva diretamente do batismo e testemunhar o Evangelho na vida diária onde quer que se encontrem. A este respeito, os Padres sinodais exprimiram «a mais viva estima e gratidão bem como encorajamento pelo serviço à evangelização que muitos leigos, e particularmente as mulheres, prestam com generosidade e diligência nas comunidades espalhadas pelo mundo, a exemplo de Maria de Magdala, primeira testemunha da alegria pascal» (VD 94). E a alegria do discípulo missionário haverá de se plena: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29). 

3.                  Os Movimentos e Comunidades eclesiais: Ao nos referir aos Movimentos e Comunidades eclesiais, constatamos, com a certeza alicerçada nos documentos do magistério, a absoluta necessidade e urgência de uma consciente e profunda conversão missionária, sejam eles quais forem, convidados a ultrapassar as barreiras de uma ação somente pessoal, para uma ação missionaria em “comunidade”...  “Esta firme decisão missionária deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de qualquer instituição da Igreja. Nenhuma comunidade deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé”(DAp 365). Ainda a VD sugere que pelos Movimentos e Comunidades eclesiais sejam devolvidas novas formas de anúncio do Evangelho: Além disso, o Sínodo reconhece, com gratidão, que os movimentos eclesiais e as novas comunidades constituem, na Igreja, uma grande força para a evangelização neste tempo, impelindo a desenvolver novas formas de anúncio do Evangelho” (VD 94). Permitam-me exemplificar com o Movimento de Cursilhos, cujo carisma está contido na sua definição. Lá onde se afirma que seu carisma é a pessoa e sua conversão, por outro lado, julgo ser esta uma oportunidade única do MCC na América Latina, para que se revitalize, também, a vocação missionária do próprio Movimento como comunidade missionária de discípulos de Jesus, e não, apenas como deve fazê-lo  a pessoa, individualmente, mas “....criando núcleos de cristãos”, ou pequenas comunidade de fé -  (Doc.62 n.121” que evangelizem seus ambientes, isto é, que “... fermentem de Evangelho seus próprios  ambientes, Seria necessário dizer mais?

Despeço-me com um abraço fraterno, “fixando o olhar em Maria e reconhecendo nela a imagem perfeita da discípula missionária

Pe.José Gilberto  Beraldo
Grupo Sacerdotal do Grupo Executivo Nacional
 do MCC do Brasil  

A Palavra do Sato Padre.

ANGELUS – 02/10/11

Seguem as palavras que Bento XVI dirigiu ontem aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a oração mariana do Angelus:

“Queridos irmãos e irmãs:

O Evangelho deste domingo termina com uma advertência de Jesus, particularmente severa, dirigida aos chefes dos sacerdotes e aos anciões do Povo: “Por isso vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e entregue a um povo que produza frutos” (Mt 21,43). 

São palavras que fazem pensar na grande responsabilidade de quem, em cada época, está chamado a trabalhar na vinha do Senhor, especialmente com função de autoridade, e impulsionam a renovar a plena fidelidade a Cristo. Ele é “a pedra que os construtores rejeitaram” (cf. Mt 21,42), porque o julgaram como inimigo da lei e perigoso para a ordem pública, mas Ele mesmo, rejeitado e crucificado, ressuscitou, tornando-se a “pedra angular” na qual podem se apoiar com absoluta segurança os fundamentos de cada existência humana e do mundo inteiro. 

Desta verdade fala a parábola dos vinhateiros infiéis, aos quais um homem havia confiado sua própria vinha, para que a cultivassem e recolhessem os frutos. O proprietário da vinha representa o próprio Deus, enquanto a vinha simboliza o seu povo, assim como a vida que Ele nos doa, para que, com sua graça e o nosso compromisso, façamos o bem. Santo Agostinho comenta que ‘Deus nos cultiva como um campo para nos tornarmos melhores’.

Deus tem um projeto para os seus amigos, mas infelizmente a resposta do homem se orienta frequentemente à infidelidade, que se traduz em rejeição. O orgulho e o egoísmo impedem de reconhecer e acolher inclusive o dom mais valioso de Deus: seu Filho unigênito. Quando, de fato, “enviou-lhes o seu filho – escreve o evangelista Mateus – [os trabalhadores] agarraram-no, lançaram-no fora da vinha e o mataram (Mt 21,37.39). Deus se coloca nas nossas mãos, aceita fazer-se mistério insondável de fraqueza e manifesta sua onipotência na fidelidade a um desígnio de amor que no final prevê também a justa punição para os malvados (cf. Mt 21,41).

Firmemente ancorados na fé na pedra angular que é Cristo, permaneçamos nele como o ramo que não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Somente n'Ele, por Ele e com Ele é que se constrói a Igreja, povo da Nova Aliança. A respeito disso escreveu o servo de Deus Paulo VI: ‘O primeiro fruto da tomada de consciência mais profunda da Igreja quanto a si mesma é a descoberta renovada da sua relação vital com Cristo, coisa bem conhecida, mas fundamental, indispensável, e nunca suficientemente compreendida, meditada e pregada’ 

Queridos amigos, o Senhor sempre está perto e é operante na história da humanidade, e nos acompanha também com a singular presença dos seus anjos, que hoje a Igreja venera como “da guarda”, isto é, ministros da divina presteza por cada homem. Desde o início até a hora da morte, a vida humana está cercada pela sua incessante proteção. E os anjos coroam a Augusta Rainha das Vitórias, a Bem-Aventurada Virgem Maria do Rosário, que, no primeiro domingo de outubro, precisamente neste momento, do Santuário de Pompéia e do mundo inteiro, acolhe a súplica fervorosa para que o mal seja abatido e se revele, em plenitude, a bondade de Deus.”

Evangelho do Dia. O Bom Samaritano.


A parábola do bom samaritano - Lc 10, 25-37

Naquele tempo, um mestre da Lei se levantou e, querendo encontrar alguma prova contra Jesus, perguntou:
- Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna?
Jesus respondeu:
- O que é que as Escrituras Sagradas dizem a respeito disso? E como é que você entende o que elas dizem?
O homem respondeu:
- "Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo."
- A sua resposta está certa! - disse Jesus. - Faça isso e você viverá.
Porém o mestre da Lei, querendo se desculpar, perguntou:
- Mas quem é o meu próximo?
Jesus respondeu assim:
- Um homem estava descendo de Jerusalém para Jericó. No caminho alguns ladrões o assaltaram, tiraram a sua roupa, bateram nele e o deixaram quase morto. Acontece que um sacerdote estava descendo por aquele mesmo caminho. Quando viu o homem, tratou de passar pelo outro lado da estrada. Também um levita passou por ali. Olhou e também foi embora pelo outro lado da estrada. Mas um samaritano que estava viajando por aquele caminho chegou até ali. Quando viu o homem, ficou com muita pena dele. Então chegou perto dele, limpou os seus ferimentos com azeite e vinho e em seguida os enfaixou. Depois disso, o samaritano colocou-o no seu próprio animal e o levou para uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, entregou duas moedas de prata ao dono da pensão, dizendo: "Tome conta dele. Quando eu passar por aqui na volta, pagarei o que você gastar a mais com ele".
Então Jesus perguntou ao mestre da Lei:
- Na sua opinião, qual desses três foi o próximo do homem assaltado?
- Aquele que o socorreu! - respondeu o mestre da Lei.
E Jesus disse:
- Pois vá e faça a mesma coisa. PALAVRA DA SALVAÇÃO!


COMENTANDO O EVANGELHO: A prática da misericórdia

A parábola do bom samaritano mostra-nos o amor misericordioso como o único meio de obter a vida eterna. Engana-se quem pretende alcançar este objetivo mediante a prática minuciosa dos mandamentos, a busca da pureza ritual, o respeito às tradições, se tudo isto carecer do respaldo da vivência da misericórdia. Seguramente, o primeiro a ser questionado pelo ensinamento de Jesus e ver-se obrigado a mudar de mentalidade foi o mestre da Lei, que pretendia colocá-lo à prova.

A parábola apresenta-nos alguns aspectos da misericórdia, como Jesus a entendia. O samaritano põe-se a ajudar um judeu, sem se importar com as rixas que sempre existiram entre os dois povos, mostrando, assim, que a verdadeira misericórdia é dirigida a todas as pessoas, sem exceção. O assistido pelo samaritano é alguém espoliado, vítima da maldade humana, jogado à beira do caminho, como algo sem valor. Isto mostra que a misericórdia deve dirigir-se mormente aos pobres e deserdados deste mundo.

O samaritano muda todos os seus planos, ao deparar-se com alguém necessitado de sua assistência. Essa atitude indica que a misericórdia exige que deixemos de lado nossos programas e esquemas, ao nos depararmos com o irmão carente. O samaritano faz todo o possível e ainda se oferece para custear a hospedagem de seu assistido. Isto sugere que a misericórdia desconhece limite, indo além de quanto se possa previamente imaginar.

ORAÇÃO

Espírito Santo, que a indigência e o sofrimento de meus semelhantes levem-me a manifestar-lhes meu amor, com gestos concretos de misericórdia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ORANDO COM A BÍBLIA!

São incontáveis os trabalhos sérios, profundos, que pessoas competentes têm realizado sobre a oração, à luz da Palavra de Deus. Cada página da Bíblia é um compêndio oracional para um diálogo intimo com Deus. Uma consciente confrontação com os desígnios do Senhor. Um choque entre os nossos projetos e os planos que a Bíblia nos oferece. 

O homem bíblico é essencialmente orante. Alguém que acredita na presença viva do Deus da história, que se deixa conduzir, guiar, mas, ao mesmo tempo, percebe toda a relutância ao pronunciar o seu sim incondicional ao desconhecido. É partir para uma terra desconhecida, é deixar as seguranças pela insegurança. 

O futuro, porém, não assusta o homem orante, ele sabe que sempre o anjo do Senhor o precede no caminho. Quando chega, Deus já o está esperando há muito tempo. Nesta certeza, devemos ler a história do povo de Israel, sempre nômade, sempre caminheiro, mas também sempre pronto a crer que o Senhor está com ele. "Não temas e não te apavores, porque Iahweh teu Deus está contigo por onde quer que Andes." Js 1,9 .

Saber que Deus vai conosco e nós com ele. Com ele não há ruptura da aliança; ir com ele constitui a maior alegria da vida. Nunca Deus quebra sua aliança conosco. Nosso pecado não permite que ele se afaste de nós. É sempre o Deus da espera, que confia no retorno do filho pródigo. 

São João da Cruz, no Cântico Espiritual, com uma clareza desconcertante, nos consola dizendo: "Grande consolação traz a alma entender que jamais lhe falta Deus, mesmo quando se achasse (ela) em pecado mortal; quanto mais estará presente naquela que se acha em estado de graça. Que mais queres, ó alma, e que buscas fora de ti se tens dentro tuas riquezas, teus deleites, tua satisfação, tua fartura e teu reino, que é teu Amado a quem procuras e desejas? Goza-te e alegra-te em teu interior recolhimento com ele, pois o tens tão próximo. Aí o deseja, aí o adora, e não vás buscar fora de ti, porque te distrairás e cansarás; não o acharás, nem gozarás com maior segurança, nem mais depressa, nem mais de perto do que dentro de ti. Há somente uma coisa: embora esteja dentro de ti, está escondido, mas já é grande coisa saber o lugar onde ele se esconde para buscar ali com certeza".

São João Cruz, Cant. 1, 8. É a tradução prática do texto do Apocalipse 3, 20: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo".

Se o homem, na sua liberdade decidir não lhe abrir a porta, Ele aí permanecerá batendo até que, vencidos pelas batidas da misericórdia, nós decidamos abrir-lhe. Na Bíblia, existem muitas palavras-chave que nos fazem compreender toda a beleza da oração. O diálogo com Deus se abre em vasto horizonte. O homem histórico de ontem, de hoje e de sempre possui sentimentos fundamentais que o revelam e não mudam. O homem bíblico chora, ri, sofre, pede, tem medo, suplica como o homem da Idade Média, o homem da tecnologia de hoje, como homem de amanhã. Quem reza vai se apresentando ao Senhor segundo a situação particular que o envolve e o faz sofrer. Uma oração que nasce da vida e que volta à vida. 

Frei Patrício Sciadini, ocd

Meditando o Evangelho.

Algumas pessoas que queriam seguir Jesus - Lc 9, 57-62

Naquele tempo, enquanto Jesus e os discípulos iam pelo caminho, um homem disse a Jesus:
- Eu estou pronto a seguir o senhor para qualquer lugar onde o senhor for.
Então Jesus disse:
- As raposas têm as suas covas, e os pássaros, os seus ninhos. Mas o Filho do Homem não tem onde descansar.
Aí ele disse para outro homem:
- Venha comigo.
Mas ele respondeu:
- Senhor, primeiro deixe que eu volte e sepulte o meu pai.
Jesus disse:
- Deixe que os mortos sepultem os seus mortos. Mas você vá e anuncie o Reino de Deus.
Outro homem disse:
- Eu seguirei o senhor, mas primeiro deixe que eu vá me despedir da minha família.
Jesus respondeu:
- Quem começa a arar a terra e olha para trás não serve para o Reino de Deus
.

A radicalidade do seguimento

Cada uma das três cenas de encontro de Jesus com pessoas chamadas a segui-lo, ilustra a radicalidade do seguimento. É preciso uma grande dose de despojamento para dar o passo. Sem isto, essa experiência ficaria sem feito, já nos seus inícios.

A primeira cena aponta para o destino de pobreza e insegurança a que estão fadados os seguidores de Jesus. Ele mesmo sabia-se desprovido de segurança oferecida por uma estrutura familiar, ou qualquer outra. Não podia contar com nada que lhe pudesse oferecer estabilidade. Sua existência era realmente precária, sob o ponto de vista material. Estava sempre na dependência da generosidade alheia.

A segunda cena, sem pretender pôr em discussão as obrigações próprias da piedade filial, indica estar o discípulo a serviço do Reino da vida. É inútil preocupar-se com a morte física, pois esta é vista na perspectiva da ressurreição. Assim, não é falta de piedade, no caso do discípulo em missão, estar ausente por ocasião do enterro do próprio pai. A certeza da ressurreição permite-lhe manter-se em comunhão com o ente querido, para além da morte física.

A terceira cena mostra como o chamado do Reino não suporta delongas. Nada de despedidas demoradas, adiamentos sem fim, desculpas sucessivas. Ao ser chamado, o discípulo deve estar disposto a romper com o passado e lançar-se, de cheio, no serviço do Reino.

ORAÇÃO

Espírito Santo, que as preocupações desta vida jamais me impeçam de ser decidido em entregar-me à missão que o Senhor me confiou.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Meditando as Sagradas Escrituras! Evangelho do dia!

Evangelho (Lc 9,51-56): Quando ia se completando o tempo para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém. Enviou então mensageiros à sua frente, que se puseram a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para lhe preparar hospedagem. Mas os samaritanos não o queriam receber, porque mostrava estar indo para Jerusalém. Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua?». Ele, porém, voltou-se e os repreendeu. E partiram para outro povoado». PALAVRA DA SALVAÇÃO.

Comentário: Rev. D. Llucià POU i Sabater (Vic, Barcelona, Espanha)
«Voltou-se e os repreendeu»
Hoje no Evangelho contemplamos como «Tiago e João disseram: ‘Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua?’. Ele, porém, voltou-se e os repreendeu. E partirem para outro povoado» (Lc 9,54-55). São defeitos dos Apóstolos, que o Senhor corrige.

Conta a história de um homem que transportava água da Índia, carregava dois cântaros um a cada lado pendurado no extremo de um pau que se apoiava em seus ombros: Um era perfeito, e o outro tinha uma rachadura e perdia água. Este –triste- observava o outro tão perfeito e com vergonha e sentindo-se miserável, disse um dia ao seu amo: sinto muito, que por causa do meu defeito perca metade do meu conteúdo. Ele lhe respondeu: Quando voltarmos para casa repara nas flores que crescem no lado do caminho. E reparou: eram belíssimas flores, mas vendo que continuava a perder água, repetiu: Não sirvo, faço tudo mal. O senhor lhe respondeu: —reparaste que as flores só crescem no teu lado do caminho? Isto porque eu sempre soube que em ti havia uma rachadura, então plantei sementes do teu lado e a cada dia que fazia este trajeto tu regavas as sementes e assim pude recolher estas flores para o altar da Virgem Maria. Sem ti e a tua maneira de ser, não seria possível esta beleza. 

Todos, de alguma maneira somos cântaros rachados, mas Deus conhece bem os seus filhos e dá-nos a possibilidade de aproveitar as rachaduras-defeitos para alguma coisa boa. Assim o apóstolo João —que hoje quere destruir—, com a correção do Senhor converte-se no apóstolo do amor nas suas cartas. Não se desanimou com as correções, senão que aproveitou o lado positivo do seu caráter impulsivo —a paixão— para o serviço do amor. Que nós, também sejamos capazes de aproveitar as correções, as contrariedades —sofrimento, fracasso, limitações— para “começar e recomeçar”, tal como São Josemaria definia a santidade: dóceis ao Espírito Santo para convertermos a Deus e sermos seus instrumentos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mensagem do Dia!!!

Rir e vencer é só começar
É de dia, é de noite, a vida sem alegria é uma triste rotina.
Ataca a alma, adoece o fígado, constipa, resseca. 
Pobre de quem vê tudo cinza.
A vida vira um fardo enorme, tudo pesa.
Pior é quando a pessoa já não aceita ajuda, já não procura solução, pois acredita que este é o seu fim.
Tem gente que se acostuma tanto com a dor, que quando se vê sorrindo, por engano, chora de raiva, de agonia, pois está se traindo.
Ah! Meu Deus, que doença é essa?
Que força desenvolvemos para ficar assim?
Dizem os Budistas, que é tudo a mesma energia;
o ódio usa a energia do amor, 
o medo, a energia da coragem,
a tristeza, a energia da alegria.
Por isso, tudo pode ser revertido, é como andar de bicicleta, primeiro colocamos rodinhas, depois de alguns metros e alguns tombos, vamos ganhando confiança, e pronto!
Lá vamos nós para nossos quilômetros.
Ah! e você sabe; 
quem aprende andar de bicicleta nunca esquece!
Assim é com a alegria: 
quem aprende a sorrir, quem aprende a ultrapassar as barreiras que a vida sempre traz, adquire uma força que não se aprende nos livros, nem nas escolas, é da vida, é do 'andar de rodinhas', é do querer.
Vai, faz um esforço, dá um sorriso...
assim, meio amarelado mesmo, ninguém tá vendo.
Deixa vir o riso, lembra de um mico que você pagou, aquele que te dava tanta vergonha, hoje é para rir com ele...
Ria até doer a barriga, como a gente fazia quando era criança.
Tem coisa mais contagiante e gostosa que risada de criança?
Seja então, a criança do dia, hoje e sempre, eternamente, que assim seja, amém!

TEXTO: Paulo Roberto Gaefke