quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

DEUS!

QUATRO LETRAS E UMA SÍLABA

Deus: quatro letras e uma sílaba. Estas palavras não são minhas. Tenho a certeza que são de Santo Agostinho, no comentário ao Evangelho de São João. Não sei mais disto. Sem dúvida os estudiosos vão torcer o nariz e arrancar os cabelos porque não é uma citação justa, pormenorizada. Mas para nós que não somos teólogos e que caminhamos descalços na poeira de todos os dias, não estamos muito preocupados com isto. Os teólogos o sabem, como diria Santa Teresa de Ávila. O comentário de Santo Agostinho diz: será que Deus está encerrado nestas quatro letras e uma sílaba? Claro que não. Ele é o criador de tudo. O que você sente quando pronuncia a palavra ‘Deus’ e o que você sentiu na primeira vez que escutou esta palavra? Que reação você tem diante de tudo isso?

Nestes dias me vieram à mente estas palavras sábias desse grande místico que ao longo de sua vida não fez outra coisa que buscar o rosto de Deus, sua beleza e misericórdia. E não guardou para si a descoberta, mas a comunicou a todos nos seus livros, especialmente no Confissões. Esse livro, creio best seller, deveria ser lido e meditado por todos. Quem procura a verdade pode demorar a encontrá-la, mas uma vez que a encontra fica fascinado e sente a necessidade de proclamá-la para todos.

Quando escuto a palavra Deus, sinto como que uma onda elétrica a atravessar todo o meu corpo. Percebo que algo de quem é familiar ao meu coração, está para ser proclamado. Sinto que a palavra Deus chega até mim com uma força toda especial e me recorda que a minha vida deve ser uma adesão amorosa ao Deus que desde sempre percorre a história e a humanidade e chega sempre vivo a nós. É uma palavra tão doce e terna que afugenta as trevas e com a força luminosa do sol penetra as nossas noites e nos indica o caminho a seguir com segurança. A palavra Deus faz ressoar no meu coração e no coração dos que tem fé - a aliança de fidelidade sacramentada na cruz do calvário; na pessoa de Jesus que é renovada constantemente nos sacramentos que recebemos como força de Deus na nossa vida. 

Não me recordo quando ouvi pela primeira vez a palavra Deus, mas creio que sem dúvida a ouvi de minha mãe, Domênica, que nem sabia ler e escrever, mas tinha um amor grande a Deus; sabia que sem Deus não somos nada. Ela, às vezes, me dizia: “Quem você pretende ser sem Deus? Você sem Deus é nada”. 

Quando escuto a palavra Deus, vem à minha memória a experiência de Deus dos grandes místicos de todos os tempos, começando com Moisés até o último místico que morre gritando para todos que vai para a luz, para o amor e para a vida que não tem fim, como fez Elisabeth da Trindade. Vem a memória os Franciscos de Assis, os Bernardos, os Joões da Cruz, as Teresinhas, as místicas sem nome e rosto, mas que buscam com sinceridade o Senhor.

Quando pronuncio a palavra DEUS sei que algo muito importante está acontecendo no ouvido das pessoas em redor de todos os grandes evangelizadores, de Paulo apóstolo até o último missionário que sem medo repete a palavra Deus para os seus ouvintes. Mas principalmente vem à minha memória: Jesus, o grande anunciador do Pai, de Deus criador, bondade que nos ama com amor infinito.

Quando pronuncio a palavra Deus me sinto tão pequeno como um grãozinho de areia. Sei que não é palavra mágica, mas sei que é palavra divina. Aí peço ajuda aos estudiosos que tanto admiro. Quantas vezes tenho buscado a terminologia da palavra Deus e não a encontro. Quem foi a primeira pessoa que inventou a palavra Deus e por quê? Como seria feliz de saber isto. Claro que nada mudaria na minha vida, eu continuaria a dizer duas coisas: Deus eu te amo e Deus ama-me! O que você sente quando escuta a palavra Deus e quando pronuncia a palavra Deus?

Frei Patrício Sciadini, ocd.
Teólogo e escritor

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